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Terça-feira, Novembro 12, 2002


Tenho que postar: a questão é o Ferrabrás!
O presidente que sai diz, em Portugal, do presidente que chega: ele não é nenhum Ferrabrás!
As explicações puLULAm...
Glossário: Ferrabrás: fanfarrão, valentão, contador de vantagem.

O presidente que sai nos leva à origem da língua portuguesa do Brasil, falando de Portugal.

O presidente que entra leva a pecha de valentão, quando se nomeava "a pax brasiliana".

Mas que o Google nos seja leve.
A pesquisa é exemplar do que pode a nossa língua pátria.

E eu, um apátrida, sem livros publicados (nos últimos 10 anos) calo-me diante de tamanha cultura, eu sem nenhum motivo para me intitular um Ferrabrás contra o presidente que sai, só a admiração da pantomima, eu que quero? Diante do governo que sai, eu que não fui nem serei Ministro d`Estado.....dou a palavra ao Mestre Machado, pensando sobre livros e sobre blogs. Convenhamos: releitura gerada pelo mestre-escola-presidente:

"Que Stendhal confessasse haver escrito um de seus livros para cem leitores, cousa é que admira e consterna.
O que não admira, nem provavelmente consternará é se este outro livro não tiver os cem leitores de Stendhal, nem cinqüenta, nem vinte, e quando muito, dez. Dez? Talvez cinco."


Que igual destino, sem igual talante ou talento, merece este diário! Nem a pena da galhofa, tampouco a tinta da melancolia cercam este diário do XXIème siècle. Nada acabou. Bin Laden e Bush prosperam e eu não aumento os leitores dessa insensatez em forma de diário. A estima dos graves não me atinge, tampouco a estima dos frívolos.

Lula, está determinado pelo sociólogo presidente brazuca na terra de Eça: não é um FerraBRÁS!


Escrito por Adalberto Queiroz às 23:07

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Recorro ao Francis

O desconforto de ser visto como um sujeito de direita ou de esquerda é que surge um filtro que funciona como "barreira técnica" à aproximação: vide minha citação de Paulo Francis. A metade da minha meia dúzia de leitores argumentou:
- Detesto o Francis! Ele se opôs fortemente ao Lula em 89...
Falo do Francis escritor, cronista, vidente...
Mas o filtro ideológico não permitiu aos já tão poucos leitores de reapreciá-lo.
O que me parece mais interessante é a compreensão (antevisão) dele em relação ao estado atual de coisas da relação estado-cidadão no Rio de Janeiro e no Brasil.
Se o filtro for rompido há muito que aprender e discordar e polemizar e conhecer.
Last but not least, só estilo cortante já vale a (re)leitura!

Escrito por Adalberto Queiroz às
13:29

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Domingo, Novembro 10, 2002


Hoje reflito sobre o propósito (ou a falta de), em resposta a uma amiga: o blog não quer dizer nada. Ou diz tudo.
Há tantos, que esta biblioteca de babel nos afunda num furacão improvável de informação.
Tantos dados ao azar, no ocaso da civilização da escrita.
E como se sabe: "un coup de dés jamais n´aboliras le hasard" *Stéphane Mallarmé
Dados jogados ao acaso.
E a escrita se tranformando numa "caça virtual" (Barroso, 2001).
"O poeta já não escreve.
Sua escrita
por mais breve
ele digita"

(Ivo Barroso in A Caça Virtual e outros poemas, Record, 2001)

E às vezes um pastiche puro: copia. Sem nenhum respeito à hierarquia.
Sem respeito aos poços em que bebeu, suas fontes nem sempre declaradas.
Narciso ronda a cena todo o tempo por certo. Mais despropósito.

Mas de vez em quando precisamos de um mestre que admita que não é fácil dar-se a tal luxo, como Mitch Kapor - o criador da planilha Lotus 1-2-3 e hoje articulador da Osa Foundation o fez recentemente:
"Committing to this weblog has made me more sympathetic to journalists who regularly work under a deadline. I'm falling short of my goal of posting every other day. Herewith, some catch up.(...)" (Ver conteúdo completo em Mitch Kapor´s weblog http://blogs.osafoundation.org/mitch/000038.html

Enfim, o despropósito nos leva à interminável ronda, não a tradicional e boêmia da canção brasileira mas a nova do poeta Ivo Barroso:
"Ronda noturna essa
caçada
que nunca cessa.
No fim da madrugada
ainda acessa."

E é só por hoje. A causa do dia?
- Código fonte aberto para todos (incluindo a poesia).




Escrito por Adalberto Queiroz às 19:46

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